Estado publica edital de R$ 28 milhões para construir o Centro Regional de Defesa Civil em Santa Maria
26/08/2026 | atualizado às 16h42m
Complexo será erguido no Bairro Nossa Senhora das Dores e contará com centro de comando, pavilhão logístico humanitário e heliponto apto a receber aeronaves de grande porte. Abertura das propostas ocorre em novembro
Santa Maria avança para se consolidar como o principal polo logístico e operacional de resposta a eventos climáticos da Região Central do Rio Grande do Sul. O Governo do Estado, por meio da Central de Licitações (Celic), publicou o edital para a implantação do Centro Regional de Gestão Integrada de Riscos e Desastres (CRGIRD) da Defesa Civil. A estrutura de ponta será erguida no Bairro Nossa Senhora das Dores e dará suporte rápido e coordenado a cerca de 50 municípios vinculados à 3ª Coordenadoria Regional de Proteção e Defesa Civil (3ª CREPDEC).
A concorrência eletrônica estipula um investimento de R$ 28.147.039,58, oriundos de recursos orçamentários do Estado. O complexo será construído em um terreno de quase 6 mil metros quadrados localizado na Rua Cel. Aníbal Garcia Barão, na área dos fundos do 1º Regimento de Polícia Montada (1º RPMon) da Brigada Militar.
O projeto prevê a edificação de um Centro de Comando e Controle (com 974 metros quadrados) equipado com salas de situação e crise, e de um Centro Regional de Logística Humanitária (com 1.174 metros quadrados), projetado para armazenar insumos essenciais de resposta imediata a tragédias.
“A instalação deste Centro Regional consolida o papel de protagonismo de Santa Maria como o coração logístico do Estado. É uma estrutura definitiva que não protegerá apenas os santa-marienses, mas dará suporte ágil e necessário aos municípios da Região Central. Essa parceria com o Governo do Estado é fundamental para garantir que, diante de qualquer adversidade climática, a nossa resposta seja sempre rápida, eficiente e integrada", destaca o prefeito Rodrigo Decimo.
Além das duas grandes estruturas, o CRGIRD contará com um heliponto homologado, construído sobre a laje do centro logístico. O espaço será equipado com um elevador direto para o térreo e terá capacidade e estrutura reforçada para receber aeronaves de pequeno, médio e grande porte, incluindo operações com os helicópteros da Força Aérea Brasileira (FAB) e do 3º Esquadrão do Batalhão de Aviação da Brigada Militar, cuja base operacional está em construção desde julho deste ano.
"O nosso centro regional vai ser constituído por um pavilhão administrativo, com sala de situação e crise, um heliponto e um centro logístico para mantermos estoque de elementos de ajuda humanitária. Toda essa área terá aproximadamente 5.900 metros quadrados e está dentro das prioridades da Defesa Civil Estadual. Neste primeiro momento, dentre as dez regionais, apenas quatro ganharão o centro logístico, e Santa Maria é uma delas, tendo em vista que a região central foi uma das mais impactadas pelos fenômenos climáticos recentes", explica o coordenador regional de Proteção e Defesa Civil, major Alexandre Pires Lacerda.
PRIORIDADE APÓS OS EVENTOS DE 2024
A implantação do CRGIRD em Santa Maria é uma resposta estratégica aos eventos climáticos extremos que atingiram o Rio Grande do Sul, especialmente em 2024. A licitação lançada nesta semana é do tipo "Contratação Integrada", em que a empresa vencedora será responsável por todas as etapas — desde a elaboração dos projetos básicos e executivos até a execução da obra e o fornecimento da mobília e da infraestrutura de tecnologia e comunicação.
A área, que originalmente pertencia à Brigada Militar, já foi desafetada e transferida para a Defesa Civil do Estado, vencendo o primeiro desafio burocrático do projeto. A abertura das propostas das empresas interessadas na licitação ocorrerá no dia 26 de novembro, às 9h. Após a assinatura e a autorização de início dos serviços, a empresa terá um prazo de 240 dias para concluir a obra.
"Temos trabalhado de forma incessante na preparação da cidade para o enfrentamento de eventos climáticos severos. Ter o comando e um estoque de ajuda humanitária sediados no nosso município, além de um heliponto com essa capacidade de operação, reduz drasticamente o tempo de resposta. É uma infraestrutura de ponta que impacta de forma direta na preservação de vidas, na agilidade do socorro imediato e na nossa capacidade de reconstrução", afirmou o secretário de Resiliência Climática e Relações Comunitárias, Edson Neves.
CHUVAS DE 2024
Segundo dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), a precipitação acumulada em Santa Maria de 25 de abril até 31 de maio de 2024 foi de 835,8 mm, o equivalente a quase 50% da média de chuva anual do Município (dados da estação pluviométrica localizada no Bairro Lorenzi). Somente em 1º de maio de 2024, houve o maior acumulado de chuva em 24 horas da história de Santa Maria. Foram 213,6 mm, superando os 183,9 mm registrados em 16 de abril de 1984 (Instituto Nacional de Meteorologia).
Em Santa Maria, a enxurrada atingiu diretamente cerca de 12 mil pessoas, deixando 1,3 mil pessoas desalojadas (em casas de familiares) e quase 300 desabrigadas (acolhidas nos abrigos do Município). Foram 5 óbitos, todos em decorrência de deslizamentos de terra, sendo três no distrito de Arroio Grande e dois na Vila Canário, Bairro Itararé. (Dados de 30 de abril a 17 de maio. Fonte: Defesa Civil Municipal).
Texto: Lenon de Paula (MTb: 18.763)
Arte: Projeto do CRGIRD Santa Maria, Divulgação / Arqs. Anicoli Romanini e Roberta Bertoletti / Defesa Civil do RS
Secretaria de Comunicação
Prefeitura Municipal de Santa Maria