Prefeitura inicia intervenções no Clube dos Ferroviários com etapas de limpeza e proteção do prédio histórico
10/09/2026 | atualizado às 16h50m
Nos primeiros 30 dias de trabalho, equipes atuam na higienização, dedetização e proteção do patrimônio histórico na Vila Belga antes da entrada do maquinário pesado
O projeto de restauração e requalificação do antigo Clube dos Ferroviários (Associação dos Empregados da Viação Férrea – AEVF), na Vila Belga, entrou oficialmente na fase de canteiro de obras. Após a assinatura da ordem de início, a Prefeitura de Santa Maria, por meio da Secretaria de Município da Cultura, acompanha os primeiros trabalhos no prédio histórico, tombado pelos patrimônios municipal e estadual. Com investimento de R$ 14,7 milhões, a intervenção resgatará um dos maiores símbolos da identidade local.
Neste momento, a empresa Arquium Construções e Restauro Ltda, contratada por inexigibilidade, concentra-se nas etapas iniciais e preparatórias. Essa fase, iniciada na última semana e que deve durar cerca de 30 dias, é crucial para garantir a segurança da estrutura centenária antes do início das demolições e da entrada do maquinário pesado. As frentes de trabalho atuais envolvem a limpeza manual e seletiva do local — para evitar a queda de elementos sensíveis —, a dedetização e erradicação de patologias biológicas (como cupins, pulgas e vegetação incrustada) e o isolamento físico da área com tapumes.
"Ver o canteiro de obras tomando forma no Clube dos Ferroviários é a materialização de um esforço coletivo. Estamos tirando do papel um projeto grandioso que vai preservar a nossa história ferroviária e, ao mesmo tempo, preparar a Vila Belga para o futuro, consolidando o Distrito Criativo", comemora o prefeito Rodrigo Decimo.
PROTEÇÃO AO ACERVO
Diferente de uma obra convencional, a intervenção em um patrimônio histórico degradado exige cuidados rigorosos. Antes de qualquer ação estrutural, a equipe realiza o resguardo do acervo. Peças de valor histórico, como o antigo placar de bocha e placas de bronze, são catalogadas e acondicionadas em local seguro para posterior restauro e exposição. Além disso, técnicos realizam exames estruturais detalhados e testes científicos nas argamassas e madeiras remanescentes, garantindo que os novos materiais a serem utilizados no restauro sejam perfeitamente compatíveis com a estrutura original.
"Essa etapa inicial é de extrema delicadeza. Estamos fazendo uma verdadeira 'cirurgia' de limpeza e reconhecimento. Como o prédio encontra-se arruinado, a limpeza manual e o escoramento técnico são fundamentais para que possamos avançar para a montagem do canteiro definitivo e para as demolições controladas sem causar nenhum estresse às alvenarias que serão preservadas", detalha a arquiteta Franciele Bombana, da Arquium Construções e Restauro Ltda.
Após a conclusão dessa limpeza e da montagem do canteiro, os trabalhos avançam para as demolições seletivas — que irão focar apenas na remoção de elementos sem valor histórico e das edificações anexas, liberando o terreno para as fundações da nova estrutura. Estimativas apontam que o prédio teria sido erguido entre 1940 e 1950.
"Cada passo dentro do Clube dos Ferroviários nos aproxima do nosso objetivo: devolver esse espaço à população como um equipamento cultural moderno. A futura sede da Emaet começa a ganhar forma, e isso enche a classe artística e toda a comunidade de esperança", ressalta a secretária de Município de Cultura, Rose Carneiro.
PROJETO
A requalificação do Clube dos Ferroviários prevê o restauro e a recomposição volumétrica da edificação histórica em ruínas, incluindo a recuperação rigorosa de elementos tombados como fachadas, esquadrias originais e a estrutura da cobertura, aliada à construção de um novo edifício anexo conectado pelo Túnel do Tempo, uma passarela metálica que simboliza a ligação entre o passado ferroviário e o futuro.
"Mais do que um investimento cultural, este projeto representa a valorização direta da memória ferroviária da nossa cidade. Do ponto de vista urbano, a requalificação do espaço mexe com todo o entorno e serve de referência para a preservação de toda a Vila Belga, tornando o edifício um marco para Santa Maria e para a história ferroviária da Região Sul", pontua o secretário de Urbanismo e Projetos, Guilherme Schneider.
As intervenções internas contemplam a reorganização do layout para abrigar o Centro de Inovação e Economia Criativa e a nova sede da Escola Municipal de Artes Eduardo Trevisan (Emaet), envolvendo o reforço estrutural de vigas e pilares, a instalação de novas lajes, modernização completa das instalações elétricas, hidrossanitárias e de climatização, além da garantia de acessibilidade universal por meio de plataformas elevatórias.
Na área externa, o projeto prevê a demolição de anexos sem valor histórico para a criação de uma praça pública com tratamento paisagístico, mobiliário urbano, fonte luminosa e uma nova arquibancada que se integra à existente, transformando o local em um equipamento irradiador de cultura e convivência para a Vila Belga.
O investimento global na restauração é de R$ 14.779.656,58, com prazo de execução estipulado em 720 dias (cerca de 24 meses). A viabilização financeira do projeto é fruto de uma articulação que garantiu R$ 10 milhões por meio de convênio com o Fundo de Reconstituição de Bens Lesados (FRBL) do MPRS. O restante do valor foi captado via Programa Pró-Cidades pelo Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE).
HISTÓRICO
A revitalização da antiga Associação dos Empregados da Viação Férrea, o Clube dos Ferroviários, iniciou sua trajetória em outubro de 2021, quando Santa Maria foi uma das cinco cidades vencedoras do programa Iconicidades, do Governo do Estado. O objetivo central era transformar o prédio histórico, localizado na Vila Belga e tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado, em um espaço de inovação e cultura.
O projeto arquitetônico vencedor, intitulado Túnel do Tempo e elaborado pelo escritório Tempo Arquitetos, de São Paulo, recebeu premiações de destaque estadual e nacional pelo Instituto de Arquitetos do Brasil, prevendo a criação de um Centro de Inovação e Economia Criativa e a nova sede da Escola Municipal de Artes Eduardo Trevisan.
A viabilização financeira do projeto consolidou-se em setembro de 2025, quando a proposta foi contemplada com dez milhões de reais do FRBL do MPRS. Esse investimento, somado a recursos próprios da Prefeitura, foi formalizado em janeiro de 2026 com a assinatura do termo de convênio entre o Município e o Ministério Público. A contratação da empresa se deu por inexigibilidade de licitação devido à necessidade de serviços técnicos especializados de arquitetura e engenharia.
Texto: Lenon de Paula (MTb: 18.763)
Foto: Felipe Ferreira (Prefeitura)
Artes: Escritório Tempo Arquitetos
Secretaria de Comunicação
Prefeitura de Santa Maria